sociedade

Liberalização – modelo esgotado

Luta pela família como agente económico principal
A propaganda ao consumo – um nevoeiro irreversível

A liberalização dos mercados provocou alterações profundas e apresenta sinais de grande preocupação nas sociedades contemporâneas. Se nos centrarmos nas famílias como motor económico de qualquer estado podemos constatar que algo se passa com a gestão dos orçamentos domésticos, decisões de consumo e equilíbrio de necessidades. Problemas estes, muitas vezes “encapuçados” por uma indústria que move milhões: a da “propaganda empresarial”.

A evolução dos mercados de capitais e das formas de pagamento, os prazos de financiamento, a tipologia de novas formas de crédito ou o consumo de produtos financeiros que o subscritor não conhece na realidade o seu comportamento são factores que ajudam ao cocktail “explosivo”. O endividamento das famílias e a falta de consciência na eleição das necessidades do agregado são, não poucas vezes, as causas para a própria dissolução deste agente económico – supostamente o motor da economia. Somos obrigados a repensar o modelo que defendemos. O peso da despesa em alimentação e bebidas não alcoólicas no total de despesa do agregado familiar diminuiu 8% entre 89 e 95 e 2% entre 95 e 2000. Que factores levam a que um dos dois itens de que depende a vida (a par das despesas em saúde) perca importância relativamente às decisões de consumo?

Este caminho pode acabar num estado de pobreza preocupante. Ao concordarmos em aspectos tão importantes como a liberalização dos mercados, não podemos estar indiferentes à forma escolhida, e ao modelo adoptado, com a concordância de governos e estados que cedem ao lucro em todos os casos, esquecendo a responsabilidade social de cada acto, o lançamento de um novo produto, a concessão de um novo crédito para pagar o anterior, o financiamento para um carro novo enquanto o cidadão deve dinheiro a 3 entidades diferentes. O impacte na sociedade nunca é equacionado e a responsabilidade do seu consumo pertence ao indivíduo. O processo de decisão de compra é conhecido e muito bem estudado pelos profissionais do mercado, desde a visualização/percepção do produto/serviço até à sua escolha, eleição e consumo por parte do cliente. Existe know-how que possibilita a transferência do objectivo das empresas para a inconsciência dos elos mais desorganizados e heterogéneos do circuito: os indivíduos.

Desresponsabilizamos tudo e todos e não conseguimos olhar com isenção para o que se passa à nossa volta. E o que se passa à nossa volta é avassalador! É impossível ser insensível a campanhas publicitárias de grande qualidade e gosto, nas quais são gastos, muitos e muitos euros e manter, depois de algum tempo (a vê-las, ouvi-las e quase “comê-las”), a hierarquia das prioridades de consumo intacta. A sociedade deixou-se seduzir pela imagem que vai moldando o consumo segundo os critérios de cada produto posto à venda por cada empresa e nunca segundo as necessidades dos consumidores. Nunca esqueçamos que quem tem a necessidade de vender são as empresas porque têm o objectivo de gerar lucro. Por esta razão e através de técnicas de marketing e de força de vendas transferem essa necessidade para uma quantidade grande de potenciais clientes. Se pensarmos bem no número de produtos que compramos e na realidade viveríamos perfeitamente bem sem os ter, ficaríamos surpreendidos. Mesmo em famílias de rendimentos muito limitados. Encontramos muitas vezes situações em que quanto mais baixo é o rendimento mais incrível é o cabaz que encontramos! Não depende do nível de rendimento se não da permeabilidade do cérebro de cada indivíduo relativamente a este processo inconsciente. No limite entramos na FNAC ou numa área comercial que nos interesse minimamente e compraríamos em cada área 3 ou 4 produtos… facilmente. Já é hora de olharmos com olhos de ver para este problema e descontarmos com a brevidade possível o que nos espera. O sistema bancário é um bom indicador. Veja-se a evolução do número de créditos concedidos, ou a as condições oferecidas na venda de dinheiro – o risco para a instituição financeira aumentou e as condições degradaram-se. A recente crise neste sector já fez encerrar algumas destas instituições e coloca em xeque estados considerados fortes, como é o caso da crise financeira instalada na Alemanha.

Parece-me que continuamos sem ter a real dimensão deste grave problema, mas esta é só uma opinião.

MBUintelligence
2006

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Miércoles, Enero 28th, 2009 General 2 comentarios